• Marina Piquini

Entrevista com as donas dos brechós Garimpo 96 e O Belorizontino!


Bom para fechar esta série de posts bem bacanas sobre moda sustentável aqui no blog da Mude! (se você está boiando, confira nossos últimos posts: post 1, post 2, post 3), nós decidimos falar diretamente com aqueles que estão atuando ativamente nesta causa tão nobre: Talita Barros e Miriã Mel, donas dos brechós Garimpo 96 e O Belorizontino, respectivamente, situados aqui mesmo na capital mineira.

Se você não sabe, os brechós são uma ótima alternativa para aqueles que não querem deixar de ter estilo e contribuir com o meio ambiente. Isso porque, nos brechós, é evitado o descarte desnecessário de roupas, além de conseguir economizar uma grande quantidade de matérias e água no processo de produção da roupa. E pode acreditar, isso ajuda muito, já que produzimos e descartamos toneladas de roupas por ano.

Mas, quem é melhor falar sobre brechós do quem convive e o pratica diariamente? Por isso, com muito orgulho, queremos apresentar a vocês essas duas garotas muito especiais.

Talita, do Garimpo 96

Como começou a sua relação com moda? Minha tia é costureira, minha mãe sempre gostou de fazer retoques em roupas e utilizava os retalhos que minha tia enviava. Eu e minha irmã montávamos desfiles de moda na varanda de casa com esses retalhos.

E como descobriu a moda sustentável? Desde criança sempre fui muito prudente e preocupada com meu consumo. Ao longo da minha carreira como modelo, trabalhos com marcas sustentáveis afloraram ainda mais essa preocupação.

Qual foi a sua inspiração para criar o brechó Garimpo96? O desejo de ter meu próprio negócio alinhado aos meu princípios.

Os brechós são uma ótima maneira de ajudar na causa sustentável, pois evita o descarte desnecessário de roupas e no lixo produzido em sua feitura. Quais são os outros valores defendidos em seu brechó? A ideia do brechó, veio de um conceito de consumo consciente, vestir pessoas e mostrar que a moda pode ser sustentável e vai além da tendência da próxima estação.

Qual mensagem você gostaria de mandar para aqueles que ainda estão receosos de consumir em brechós? Brechós foram vistos por muito tempo de uma forma negativa. Estamos aqui para desmistificar esses conceito, em que consiste a ideia que roupas de brechós são “sujas e velhas”, e mostrar o quão interessante é a dinâmica de um brechó. As peças são exclusivas, por isso as chamando de “achados”, e esse é um dos maiores motivos para compras em brechós. Não valorizamos marcar ou tamanhos, olhamos de outra maneira para as peças. Pensando o quão legal ela é, o conforto e a qualidade.

Miriã, O Belorizontino

Como começou a sua relação com moda?

Meu amor pela moda começou quando eu era bem pequena. Minha avó tinha uma máquina de costura em casa e toda a minha infância foi baseada em passar a linha na agulha para ela costurar. E, a medida que eu fui envelhecendo, comecei a gostar de tecidos e uma coisa foi levando à outra.

E como descobriu a moda sustentável?

Eu fui em uma exposição no Palácio das Artes sobre sustentabilidade quando eu tinha uns sete anos. Era uma instalação sobre tecnologia, mas isso me levou a procurar por conta própria e esse foi o caminho que me trouxe até o consumo sustentável. Logo depois, descobri a relação de trabalhos de exploração por parte das grandes marcas de roupas e desde os meus 16 anos não consumo de fast fashions. Isso impactou minha vida por completo, pois, pouco tempo depois, eu parei de consumir carnes e derivados durante 5 anos.

Qual foi a sua inspiração para criar o brechó O Belorizontino? Consumir roupas de segunda mão me fez ter essa vontade de abrir o meu próprio negócio. Inicialmente, as peças eram minhas, já que meu armário não comportava mais a quantidade de roupas. Eu comecei a me perguntar o que me levava a ter 70 calças jeans (é sério, eu tinha 70 calças jeans) no meu armário já que eu usava só duas no meu dia a dia.

Os brechós são uma ótima maneira de ajudar na causa sustentável, pois evita o descarte desnecessário de roupas e do lixo produzido em sua feitura. Quais são os outros valores defendidos em seu brechó?

Nós trabalhamos em cima de três pilares básicos: REDUZIR, REUTILIZAR e RECICLAR. Esse modelo de moda circular diz por si só. São elos de uma cadeia, uma coisa não funciona sem a outra. Quando eu compro uma peça de segunda mão, naturalmente, eu estou reproduzindo esse modelo. Eu entendo que a roupa mais sustentável é aquela que já existe, e, ao invés de concentrar forças para descobrir como eu posso produzir peças sustentáveis, eu procuro depósitos de lixo têxtil para “salvar” peças que, infelizmente, iriam para um lixão. Gosto de pensar que, ao comprar essas peças, eu estou ajudando a salvar a economia têxtil de algum país subdesenvolvido.

Qual mensagem você gostaria de mandar para aqueles que ainda estão receosos de consumir em brechós? Existe um trabalho gigantesco por trás de cada roupa garimpada, desde a procura das peças até a higienização, de forma que não existe motivos para ter receios. Eu entendo que para algumas pessoas que acreditam em energias possa haver esse conflito de ideias. Mas, nós precisamos começar a colocar as coisas na balança. Eu continuo preferindo usar roupas de outras pessoas, do que roupas que advém de trabalhos análogos à escravidão. Eu me recuso a financiar esse modelo de exploração.

Espero que vocês tenham gostado desse nosso artigo super especial. Até a próxima!

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