• Marina Piquini

A arte das Drag Queens


Desde da superstar americana Rupaul o seu reality show de Drag Queens, a arte e a cultura Drag foi conquistando seu merecido espaço na cultura pop e na moda. Mesmo ainda sendo uma arte que ainda sofre diversos preconceitos da sociedade, a arte Drag vem ganhando espaço na mídia, sendo até mesmo, protagonistas de capas de revistas icônicas de moda. Temos até um caso recente e brasileiro, onde Pabllo Vittar, Gloria Groove, Bianca Dellafancy e Halessia fizeram o seu melhor carão nas capas da edição de outubro da Vogue Magazine.

Como amantes da moda e da diversidade, a Mude! sempre teve muito respeito e interesse no tema. Portanto, aproveitando o spotlight que estes ícones brasileiros estão recebendo, decidimos explorar neste artigo, uma breve história das Drag Queens e sua inserção na moda.

História

Acontece que as Drags Queens já são há um tempo, ligadas na moda, por sua criatividade e execução de seus próprios look para os shows, mas a sua teatralidade para realizar as incríveis performances tem uma raiz muito interessante: na Grécia antiga.

Tendo sua origem por volta de 550 a.C. em Atenas, o teatro foi uma atividade que foi se tornando cada vez mais organizado e aclamado, com enredos trágicos, um grupo de atores e artistas, excursões e muito mais. Nessa perspectiva, a história Drag começa nos teatros, no qual as mulheres não podiam por seu papel social, atuar, sendo então substituídas por homens em papéis femininos. Esse costume perdurou-se até mesmo em algumas peças do teatro elizabetano.

Fato curioso: diz uma lenda que Shakespeare anotava no pé das páginas de suas peças a palavra “Drag”, do verbo em inglês “to drag” (arrastar), fazendo menção aos vestidos longos das mulheres que arrastavam no chão.

Com sua constante luta por direitos e seu espaço na sociedade, as mulheres foram conquistando mais trabalhos e atividades, e, portanto, passaram a desempenhar seus papéis no teatro.

Voltando ao tema principal deste artigo aqui, as atividades que até então, se assemelham com a arte Drag foi cada vez mais, sendo associada aos homosexuais. Fazendo um salto histórico, com a abertura cultura dos anos 1960 ocasionada pela juventude rebelde da época, a cultura pop surgiu nas grandes metrópoles e com ela uma abertura maior em relação a comunidade gay. Os bares destinados a este público ainda eram relegados a áreas periféricas das cidades, mas foi neste espaço que as Drag queens encontram seu lugar de afirmação e expressão. Fazendo sucesso nos bares LGBTQIA+ dos Estados Unidos, comunidade gay encontra a arte Drag uma forma de entretenimento, onde elas atuam, dançam, cantam e realizavam suas fantasias.

É claro que nem tudo era flores: mesmo com um estouro da cultura jovem, o conservadorismo da sociedade tornou a vida da comunidade LGBT mais difícil, com ataques e agressões a comunidade LGBTQIA+, ainda mais para aqueles se vestiam de mulher. Essa tensão estourava em vários momentos, como uma agressão policial em uma bar onde Drags performavam, onde foram detidas 13 pessoas injustamente. Resultado: um protesto em prol da comunidade gay foi feita, durante 5 dias e contando com a presença de Marsha P. Johnson e Sylvia Rivera, Drag Queens que se tornaram nomes importantes na luta pelos direitos LGBTQIA+.

Nos anos 1970 as Drags foram ganhando mais espaço no mídia com programas televisivos e filmes, entre eles os estrelados pelas queens Divine, que, aliás, fez o filme “Pink Flamingo”, Priscila, que realizou o filme “The Adventures of Priscilla, Queen of the Desert”. no final dos anos 1990 surge uma das principais figuras da histórias da arte Drag e da cultura pop, Rupual. Por mais que tenha se envolvido em polêmicas recentes, é inegável que Rupaul teve uma grande presença, fazendo performances, modelando e atuando. Seu sucesso e reconhecimento abriu portas para muitas outras drags.

Com o seu grande sucesso Rupaul ganha seu reality show o “RuPaul's Drag Race”, estreando em 2009. O programa contava com uma competição entre Drag Queens pela coroa de melhor Drag. Em cada temporada, as competidoras enfrentam uma série de desafios para mostrarem os seu talento, incluindo a criação de suas próprias roupas. O sucesso do programa tornou a arte Drag conhecida mundialmente.

Na moda

A relação entre moda e a arte Drag já tem a sua ligação pela produção própria das roupas e da maquiagem das Drag Queens para suas performances. Looks regados de exageros são característicos das drags, que abusam no brilho, transparência, tecidos, acessórios e tudo de mais glamoroso para transformar seu guarda roupa em um verdadeiro carnaval e também, em seu legado.

Com a ascensão das drags na mídia, houve a valorização da arte Drag e muitos de seus praticantes passaram a ser procurados para empregos, onde podiam mostrar sua originalidade e essência nas mentações. Os estilos mais famosos e até mesmo, requisitados em shows e eventos, são as Comedy Queens que conta com uma produção mais exagerada, as Pageant Queens, que são as mais mais refinadas e elegantes (que até mesmo, costumam participar de concursos de beleza, sempre impecáveis) e as Sexy Queens, que usam e abusam da sensualidade.

Com o tempo também, muitas drags foram ganhando fama e se tornando verdadeiras ícones de moda, fazendo até mesmo parcerias com marcas de luxo. Violet Chachki vencedora da sétima temporada de Rupaul’s fez participação em marcas como Miu Miu e Moschino, indo até mesmo, às passarelas, e participou de um editorial para a revista Vogue Itália, sob a temático dos anos 20. a Drag Queen Milk fez trabalhos para a Marc Jacob em sua campanha SS16 onde apresentou a questão da binaridade de gênero, e fez também um trabalho para a marca da Madonna, Truth or Dare, onde ela veste 3 looks icônico que a cantora usou.

A Marca Savage x Fenty, da empresária e cantora Rihanna, que tem como foco moda íntima para atender a diversidade de corpos, teve,em seu desfile, a ganhadora da décima temporada de Rupaul a Drag Queen Aguaria. A drag também fez participações como convidada de algumas marcas para desfiles e é garota propaganda da marca Moschino.

Bom meus amores, é claro que há muito assunto para manga, mas terminamos por aqui o post de hoje. Acho que já deu para ver como a arte Drag é realmente fabulosa e interessantíssima de ver. Fique ligado que na próxima, abordaremos sobre a arte Drag no cenário brasileiro!

*esse artigo foi escrito em co-autoria com Rodrigo Falqueto e Marina Piquini.

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